O dinheiro afeta a relação conjugal?

No meu caminhar pelas trilhas da terapia de casal e família, tenho observado que o dinheiro exerce uma influência significativa na relação conjugal, indo muito além do aspecto financeiro. Isso porque o dinheiro carrega significados simbólicos, emocionais e relacionais, configurando dinâmicas específicas no vínculo do casal, tais como:

1. Poder e controle
 Em algumas configurações conjugais, o dinheiro é utilizado como uma forma de definir quem detém o poder e, consequentemente, a possibilidade de controlar o outro. Essa dinâmica pode gerar desigualdade, falta de autonomia e até submissão.

2. Segurança e estabilidade
 Podemos dizer que o dinheiro possibilita aos membros do casal se sentirem protegidos, ter tranquilidade e fazer projetos. Muitas vezes os conflitos que aparecem pela administração do dinheiro encobrem emoções e sentimentos não resolvidos como medos,insegurança acerca do futuro que fragiliza a estabilidade emocional do casal.

3. Amor e cuidado
 Outro significado frequentemente atribuído ao dinheiro na relação conjugal está ligado ao amor e ao cuidado. Muitos casais acreditam que prover financeiramente é uma prova de amor, enquanto a negação de recursos pode ser interpretada como falta de cuidado ou de afeto.

4. Valor pessoal
 Em diversas situações, a maior contribuição financeira está associada à autoestima do cônjuge que ganha mais. Dessa forma, quem possui maior renda pode se sentir mais valorizado, enquanto quem ganha menos pode se sentir desvalorizado, mesmo contribuindo de outras maneiras, como no cuidado com os filhos e com a casa.

5. Autonomia e liberdade
 Uma das configurações que o dinheiro traz a relação é que este pode representar independência e liberdade de escolha, e, a ausência dele pode acarretar sensação de aprisionamento e medo de não poder sair da relação. Muitos casais continuam juntos apesar dos seus desencontros por dependência do dinheiro.

6. Padrões familiares na gestão do dinheiro
 Os conflitos envolvendo dinheiro frequentemente refletem a repetição de padrões familiares aprendidos na família de origem. Muitos casais reproduzem comportamentos que, por vezes, já não fazem sentido em sua atual condição financeira.

Em síntese, a forma como o casal lida com o dinheiro reflete a maneira como constrói sua relação conjugal, incluindo objetivos comuns, criação dos filhos, lazer e escolhas profissionais. Em outras palavras, o dinheiro no casamento revela como as parcerias são estabelecidas e, quando utilizado como instrumento de poder, pode gerar ressentimentos e distanciamentos. Assim, a administração do dinheiro na relação conjugal requer diálogos, parcerias e dissolução de conflitos.

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Dra. Cecilia Astete

Desde a infância, cultivo um profundo interesse pelo ser humano em suas múltiplas fases da vida.

Ao longo da minha trajetória profissional, tive a oportunidade de acompanhar crianças, jovens, adultos e pessoas idosas, vivenciando a riqueza e a complexidade de cada etapa.

Tenho um apreço genuíno por escutar as histórias que meus clientes compartilham, exercitando uma escuta atenta e empática.

Acredito que, por trás dos relatos de dor e sofrimento, existem narrativas mais leves e potentes, muitas vezes ocultas, que podem ser resgatadas e reconstruídas.

Vejo o processo terapêutico como uma construção conjunta, em que terapeuta e paciente criam, lado a lado, uma nova forma de estar no mundo — mais leve, mais consciente e menos marcada pelas angústias que motivaram o início do processo.